Friday, March 05, 2010

Toda mulher quer ser Tieta

Uma amiga me contou que desde pequena ela sabia que era diferente das outras meninas. Ficava na esfera do invisível, não era uma garotinha-do-papai, que gostava de panelinhas e sonhava com uma casa da Barbie. Já é difícil tentar se adaptar aos 8, imagine quando essa diferença passa para a adolescência, época em que grupos são importantes e toda aquela balela da psiquê humana que serve mais para confundir que para elucidar. Logo ela, uma das pessoas mais pé-no-chão que conheço, foi dada como caso perdido entre professores e colegas.
Anos depois, formada, bem-sucedida, ela volta para a cidade natal e (veja!) protagoniza uma cena digna de novela. Mais exatamente, Tieta do Agreste.





Eu entendo a fixação por uma volta triunfante. Você esfrega na cara daquele bando de calhordas que não, você não era louca, nem maconheira. Você era você mesma, o tempo todo e foi encontrar lugar onde as pessoas não apontavam o dedo para tudo o que você fazia. Você dava para os carinhas porque afinal, tinha 17 anos e é isso o que se espera de uma garota de 17: que seja gostosa enquanto o tempo permitir (e nessa idade, você pode tudo).
Você estava sempre aérea porque estava pensando naquele livro maravilhoso do Caio, enquanto as outras meninas estavam pensando em ser Paquitas. Aliás, será que é por isso que todas elas são loiras hoje?
Suas roupas não eram sujas, nem fora de moda: você apenas não via nenhum sentido em mostrar o quão moderna você era, já que modernidade está dentro da gente, não "fora". Bixo, você não sabe nada, mesmo.
E depois de anos morando longe você volta para entender, finalmente, que também é a mesma pessoa de antes e todo aquele papo de vingança tardia cai por terra. Não era você que era grande demais para a cidade, mas a cidade que era pequena demais para você.

Saturday, January 23, 2010

Alta manutenção



Existe um tipo de gente que exige demais. Não falo só para relacionamento homem-mulher, mas para amigo-amigo, que é o que mais me estressa. Eu entendo que vivemos num mundo muito competitivo, que a vida é assim, mas pelo menos você deve ter aquele campo seguro onde existem pessoas ao seu redor que deixam a coisa acontecer. A pessoa que cobra, que tudo tem que ser de determinada maneira, que perde as estribeiras quando alguém fala algo que não espera ou faz uma piada no momento errado, está pedindo que os outros mimem e digam: "Fulano, oh, 'tadinho, tá magoado!"
Chamamos isso de Pessoa de Alta Manutenção, aquela que te deixa esperando 45 minutos, mas ela não espera por ninguém. Ou ela pode rir quando você erra e você não pode rir de nenhuma situação dela. Ou ela te pede um milhão de favores, mas quando você pede alguma coisa, é por sua própria conta e risco: ela vai fazer de má vontade e ainda te cobrar o resto da vida. A via da relação é única: as coisas giram "ao redor", "para" e "com" a pessoa - "umbiguismo" total.
Já parei para pensar se isso não é reflexo de uma infância estragada, onde a família mimava a criança até ela se jogar no chão do supermercado, gritando (o que normalmente leva aquele raciocínio paterno-materno de "o que eu fiz?"). Ou reflexo de uma vida dura, cheia de privações, onde a pessoa passou fome, frio, foi abandonada, apanhou da família inteira, fugiu de casa e só hoje que ela pode exercer suas vontades. Depois de tanto pensar, eu cheguei a conclusão que, ou sofrendo muito, ou muito pouco, as Pessoas de Alta Manutenção se importam pouco com os outros.
Eu decidi que, independente de beicinhos, choramingos, chantagens e gritos, sendo o mais razoável possível, não podemos ceder, já que o comportamento ruim é reforçado. Além disso, quem quer fazer manutenção constante num amigo que só cobra?
Se a pessoa quiser ficar magoada por pouco, que fique. Ou fique sua vida inteira pedindo desculpas e tratando o seu Amigo de Alta Manutenção como criança. Vai ver que é isso mesmo que eles querem.


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Estou há um tempo trabalhando em um projeto de bolsas chamado Mancuspia. É um e-commerce meu e de uma amiga, que já tem loja virtual (onde aceitamos todos os cartões, boletos, débitos e qualquer outra coisa que faça transação financeira), tem blog e tem disponível em loja real aqui em Porto Alegre. Por sinal, o case da Mancuspia é o meu trabalho de conclusão da faculdade, então entrem lá, olhem e se divirtam.

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O meu afastamento é porque nos mudamos, montei um atelier em casa, recebemos uma amiga nossa do Canadá aqui e semana que vem estamos indo para a Europa, de mochila nas costas, passar 1 mês viajando. Fora a correria nesse período pré-férias, as coisas estão andando superbem. Muito casaco (porque nossa primeira parada é em Paris e deve estar MUITO frio) e vitamina C, que não sou louca de pegar uma gripe antes da viagem.
Se rolar, posto do Velho Mundo alguma novidade.
Nos vemos por aqui.

Wednesday, January 20, 2010

Este usuário encontra-se fora da área de serviço

Tá dificil conciliar a Clementine virtual com a Ísis real. A vida corre aqui fora, linda, leve e solta. Volto quando der.

Wednesday, January 06, 2010

Coisas estranhas e aleatórias que aprendi sobre a vida no ano que passou

1- pessoas genuinamente burras e inocentes gostam de parecer mais espertas do que são realmente;
2- as pessoas mais inseguras são as que gritam e ameaçam mais;
3- dinheiro não traz felicidade, mas ajuda um bocado;
4- você pode encontrar alegria fazendo coisas simples: correr, costurar e cozinhar, por exemplo;
5- você pode dizer que não se importa com o corpo, mas emagrecer o bastante para colocar um biquíni de tirinhas e ficar bem é simplesmente ótimo;
6- desconfie daqueles que só seguem ordens ou seus instintos, coisas igualmente perigosas porque você não usa o cérebro para nenhuma decisão e tem em quem colocar a culpa se algo dá errado;
7- se você vai trabalhar em um lugar e NINGUÉM fala sobre dinheiro, talvez não seja um bom lugar;
8- é preciso de um tudo para fazer o mundo;
9- não insulte o jacaré antes de atravessar o rio;
10- questão de tempo: cada um tem o que merece.

Tuesday, December 22, 2009

Férias do blog



O Blog de Meninas entrou em férias! EH! Aproveite, desligue o computador e vá curtir!
Boas festas e até o ano que vem!

Sunday, December 20, 2009

Friday, December 18, 2009

Carta a Edward

(Não adianta me olhar com essa cara...)

"Querido Edward,
já venho de antemão dizendo que não te amo. Na verdade, nem sequer acredito que um dia nós dois daríamos certo juntos. Você tem eternamente 17 anos, fato que me incomoda um bocado. Homens, no geral, PENSAM ter 17 anos até os 35. Quando amadurecem, seguem até os 50 achando que tem 22. Imagina ter alguém que te dirá sempre: "mas eu sou tão jovem ainda..."
Nem morta (com perdão do trocadilho).
Eu sou uma pessoa matutina. Meu pico de energia é às 10 da manhã. Mal o galo canta, já saí da cama, já fiz café. Por sinal, você não come (só sangue, o que torna um café da manhã bastante estranho) e café da manhã tem que ter pão, queijo, leite... é a refeição mais importante do dia para mim. Azar o seu, meu café é maravilhoso.
Apesar de não gostar de sol (talvez uma das poucas coisas que combinamos), amo luz dentro de casa. Janelas sempre abertas. Você não pode nem com uma frestinha. Faça-me o favor!
Edward, desculpe, mas eu gosto de homem. Homem quente, coisa que você não vai ser nem... em um milhão de anos. Gosto de dormir de conchinha (você não dorme), gosto de viajar. Aliás, como vampiros viajam?
Gosto de homem companheiro, que pode sair sem planos por aí. Gosto de alegria, de ver filme e bater papo até amanhecer, gosto de homem curioso (você repetiu o high school quantas vezes mesmo?), que me ensine outras coisas. Você tem essa vida tão mortinha...
Fora esse negócio de eternidade. Eu acredito que você pode amar muito tempo, mas para sempre é tempo demais. Não quero alguém que me procure pela eternidade. Já pensou, que droga isso, você descobre que o meu eterno são 50 anos (porque, pela média, eu vivo uns 70, 80 anos...) e o teu eterno é para sempre, mesmo? E já pensou, viver por mim, morrer por mim... nem parece aquele vampiro independente e cool que conheci há tempos atraś.
Eu tenho dramas bem humanos. Tenho contas para pagar. Tenho uma casa e um negócio para administrar. Adoro minha família e corro o risco de ter minha mãe no jantar se você não gostar da sua (ex-futura) sogra. Isso parece meio psicopata.

Mas assim, podemos continuar amigos. Você sem dormir; eu, com hora certa. Você comendo caça, eu fazendo minha tentativa de virar vegetariana (1 semana sem carne, eh!). Você fazendo o high school pela milésima vez, eu terminando a faculdade e enlouquecida com o TC.
A gente se encontra uma hora dessas no MSN.

(Obs: se por ventura você encontrar o Eric do True Blood, esqueça tudo o que acabei de falar.)"

Thursday, December 17, 2009

Força maior



Devido a quantidade absurda de spams, estou ativando a moderação de comentários. Desculpem o transtorno. Voltaremos com a nossa programação normal em instantes.

Saturday, December 12, 2009

Da obediência



"A mística da obediência cega e irrefletida seria ridícula se não fosse sinistra. O cara que jogou a bomba em Hiroshima também dizia que estava cumprindo ordens"

Millôr - d'O Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr

Saturday, November 14, 2009

Sal de frutas


Numa palestra sobre cluster, que estava superinteressante: 4 alemães falando Inglês para a platéia. Só quem já ouviu um alemão falando Inglês sabe como isso pode ser complicado para os ouvidos. Eu lá, muito atenta, não perdi nada.
"Nada" até chegar um pessoal (cambada) de estudantes de Ijuí, contando como foi a viagem, as férias, como estava a mãe, ligar o mp3, deixar o celular tocar. Me remexi na cadeira e deixei o ódio subir. Quando estava com a raiva toda na garganta, educadamente, pedi para eles baixarem o volume da voz. O volume baixou 1 minuto. No minuto seguinte, eles estavam falando da mãe, do avô, do celular...
Eu me lembro de estar na cadeira sentada e no minuto seguinte, de estar sendo segurada por dois amigos que estavam sentados do meu lado. As duas pessoas que estavam falando estavam ACUADAS por mim nas suas cadeiras, eu pronta para pular a fileira e segurada no ar.
Acho que não me levaram à sério no primeiro aviso, não tive nem tempo de segurar o segundo. Eu ia pular no pescoço daquela gente.
Eu brinco que tenho um efeito Sal de Fruta em mim. Neguinho não sabe o show que perde quando aquela raiva sobe e pula da minha garganta, como um Sal de Frutas. Não passa pela minha cabeça ter orgulho disso, até porque eu fico cega de ódio e não consigo controlar o que sai da minha boca, mas é muito engraçado ver os outros comentando depois, como se aquela mulherzinha pequena soubesse virar o Incrível Hulk.

O melhor é que quem me vê no auge do Efeito Sal de Frutas, nunca mais esquece. :)


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Continuo ocupadíssima. Aviso quando a loucura passar.

Friday, November 13, 2009

Este usuário está temporariamente ocupado

Vi o filme (500)Days of Summer e me enlouqueci com a trilha sonora. Fui num congresso de 2 dias. Estou fazendo a reforma no apartamento novo. O mestre de obras é uma das pessoas mais bacanas que conheci nos últimos tempos. Vamos nos mudar semana que vem. Tenho uns 3 trabalhos da faculdade para fazer. Já escolhi meu trabalho de conclusão, fiz as pazes com um professor que briguei, conheci outros, revi velhos amigos. Tenho uma nova amiga, a Sra. S, que parece ser minha irmã de alma. Sério, às vezes eu tenho impressão de conversar comigo mesma. Adoro, óbvio. Estou cuidando com carinho de 2 ecommerce. No mais, cerveja, vinho, as baladinhas que costumamos ir com os amigos, planinhos para a viagem de férias. Não importa o que houver, sempre haverá Paris.
Enfim, ocupada.
Volto quando surgir assunto.
Beijo-me-twitta.

Saturday, October 31, 2009

Saia justa, nem tão curta

O comentário da semana foi o comprimento da saia da aluna da Uniban. Para quem viu o vestidinho, nem tão curto assim, escandalosamente rosa, ficou a dúvida: por que tiraram a menina daquela maneira? Por que tanta hostilidade?
Eu vou explicar: existe um código de conduta social. É, minha filha, aquele negócio que te impede de sair pelada na rua, sabe? Pois aí que a coisa entorna. Ok, você não sai pelada, mas sai de shortinho curtíssimo e barriga de fora. Muita diferença? Nem tanto.
Entra o bom senso, coisa que nem todos temos. No caso da menina, união das duas coisas: falta total de bom senso e conduta social. A faculdade é o ambiente de trabalho de muita gente. Tem professor ali dando aula e fazendo o ganha-pão da família, assim como sempre tem algum aluno querendo chamar mais a atenção do que é explicado em aula. No caso da Geyse (o nome dela é esse), ela escolheu um vestido pink datado. E conseguiu.
Eu não iria para o trabalho com aquele vestido, nem daquela cor, nem daquele comprimento. Você não quer ser chamada de puta na rua? Sorry, não se vista como uma puta, a não ser que a sua intenção seja causar. A menina da Uniban escolheu o local certo para isso, causou o rebuliço e ainda disse que tentou se preservar. Só se for preservar o vestido de virar camiseta de faxina (ai! meu senso estético grita!).
Se o barulho foi causado por inveja, sinto dizer que ela já deve ter recebido proposta de alguma revista masculina para mostrar mais do que o vestido permitia, mesmo sendo o canhão que aquela menina é. Quem ficou mesmo em má situação foi a faculdade, que agora vai ter que explicar o ocorrido. A garota vai ter grana agora para vestir o que quiser, numa outra faculdade tão caça-níqueis quanto a Uniban.
Que ninguém me fale em "liberdade de vestir o que quiser". Os outros alunos foram uns escrotos, selvagens, concordo. Ninguém que tenha o mínimo de bom senso sai com aquele vestido para fazer a linha recatada e moça de família.
Eu não daria pelota, até porque ela já conseguiu toda a mídia possível e um post no meu blog. O que eu não perdôo é aquele vestido fúcsia horroroso. Por mim, só isso merecia o apedrejamento.

Monday, October 26, 2009

Atividade paranormal


Depois de mais de 5 semanas esperando um torrent, consegui baixar o hit "Paranormal Activity" que tanto falavam. O filme foi feito com baixíssimo orçamento (alguns falam em torno de US$ 15.000; outros, US$ 25.000, mas acredito que seja nessa base), com uma benção de Spielberg, e o filme que era para ter parado no primeiro "não" , graças a um estrondoso viral, se tornou a zebra do ano, assinando parceria de distribuição com a Dreamworks.

O certo é que sim, o filme é assustador e sabe criar tensão, não por aquilo que você vê, mas por aquilo que você não vê. Peca muito pela qualidade do som (que eu sei que "ruim" é a proposta)e pequenos deslizes no roteiro, mas é uma boa diversão.
Ah, sim. O bacana é que tem 3 finais, sendo que dois eu consegui ver. Estou procurando o terceiro, que pode ser um hoax, como tudo o que rola na internet. Mas dois eu garanto (um deles, sugestão de Spielberg, que fica MUITO claro quando o filme acaba, porque é clichê)
Por via das dúvidas, deixe uma luz acesa na casa e não assista sozinho.

Friday, October 16, 2009

Eu podia estar roubando...

Tenho muitos motivos para não gostar do Brasil. A começar pelo amadorismo dos empresários brasileiros, que trabalham com a mais-valia e ainda juram que dão emprego. Acho uma merda trabalhar por meia dúzia de centavos, independente da sua formação acadêmica e dependendo muito do Quem Indica.
Odeio miséria, como todo mundo, mas odeio mais ainda quem já se acostumou com meninos no sinal pedindo dinheiro. Afinal, podia ser pior: eles podiam estar roubando. Odeio o cheiro de xixi das ruas de Porto Alegre no domingo de manhã. Aliás, alguém já se deu conta de como é comum homens mijando na rua de noite, como se fossem cachorros?
Também odeio não ter carro por opção, porque quem tem carro, tem que pagar uma grana para o governo, especialmente se o seu carro é novo. Quer dizer, se você anda com uma lata velha, que coloca a vida de vários transeuntes na rua em risco, está bom, você não paga para o Governo. Se você é um feliz proprietário de um carro novo, saiba que o IPVA é praticamente 5% do valor bruto do veículo. E tem mais: você tem que pagar seguro, não porque batem e sim porque roubam seu carro. Ah, claro, podia ser pior, você poderia estar DENTRO do carro. Você também paga uma grana por causa do cartel da gasolina. Também paga pelo estacionamento e, diga-se de passagem, existem pontos em Porto Alegre que você não PODE ir de carro. Além da maravilha dos azulzinhos e flanelinhas (que é a versão noturna dos meninos de entretenimento automotivo, ou malabares de sinaleira).
Odeio morar em um apartamento bacana, mas que parece um presídio de tão gradeado. A piscina é escondida, senão chama "muita atenção", como diria um dos meus vizinhos. Eu estou mais presa que os bandidos.
Odeio o "jeitinho", seja ele o "brasileiro" ou o "DA XUXA". Odeio Big Brother - para mim, é a versão moderna da velha fofoqueira, com a desvantagem que você ainda PAGA para assistir aquela porcaria. Odeio novela e odeio mais ainda quem pergunta para mim se eu tenho assunto com as pessoas por não assistir tv. Aliás, só para informação: não tenho televisão em casa.
Odeio esses apartamentos novos que não tem sacada, nem área de serviço e os quartos são do tamanho exato para uma cama e um armário. Não moramos: nos empilhamos.
Odeio os shows que não vem para Porto Alegre e quando muito vão para Rio e SP. Os espetáculos não vem porque não temos estrutura, mas querem fazer a porra da Olimpíada e da Copa do Mundo aqui. Será que eu sou a única que pensa que há algo errado nesse discurso?
Dizemos que somos o país da tolerância e da diferença, mas a coisa que mais ouço é "coisa de negro", "bem coisa de bixa", "só podia ser mulher". Tolerantes, meu cu.
E as filas? Odeio fila - tem fila para tudo, tem fila até para fazer fila. Corre, Bino, que é cilada!
Odeio que ninguém tenha o que fazer no domingo, além de assistir Domingão do Faustão. Odeio que as nossas praças são um lixo, que servem para juntar michê e ladrão. Quer um parque bacana aqui em Porto Alegre? Faça como o Jardim Botânico, que foi OBRIGADO a cobrar pela entrada, ou como o Jardim Europa, que é gradeado e tem segurança em volta.
Quer andar de bicicleta? Procure a Ciclovia Tabajara, que é um corredor-de-ônibus-que-vira-ciclovia. Durante a semana, corra o risco de ser atropelado. Quer correr? Não leve equipamentos muito caros, relógio, MP3. Você pode acabar fazendo exercício mesmo, mas correndo do ladrão.
Eu não peço desculpas por odiar o país do deixa-disso. Não consigo me identificar com nada que o país me oferece: seja emprego ou cultura. Pense pelo lado bom: eu podia estar roubando.
O último a sair apague a luz.


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Por sinal, ADOREI o Classe Média Way Of Life. Clique djá, porque eu me encaixei DIREEEETO na #1, apesar de achar que classe média que é classe média ADORA o Brasil. Deusulivre falar mal.

Thursday, October 08, 2009

Que livro você seria?

A Regra: Responder a seguinte pergunta: Se sua vida fosse um livro, que livro você seria?
(roubado do Letras Saltitando)

A contra-capa seria mais ou menos assim:

"Fazia muito tempo que L. pensava nisso, mas achava que não podia dizer a M. por medo do olhar repressor, ou pelo simples pânico que haveria se ele decidisse que sim, abrir uma funerária era uma idéia simples e funcional. Afinal, todos morreriam um dia, todos haveriam de morrer um dia, nada mais.
Para abrir uma funerária, você deve se despir de todos os seus medos: aquele que te impede de ir ao cemitério à noite, o que te impede de sair desbravando o escuro e também aquele que não te deixa tocar em uma pessoa morta. Um agente funerário não pode crer em fantasma. Aliás, crer em Deus também é difícil, basta se perguntar porque o sacana do seu vizinho continua vivo e aquele menino de 10 anos do seu bairro morreu atropelado por um caminhão. Não é errado perguntar se Deus existe ou não, mas quais as prioridades que são levadas em conta na hora da morte, se somos todos ridiculamente iguais do nascimento ao fim.
Nesse caso, abrir uma funerária também tem uma grande vantagem: o seu cliente nunca volta para reclamar."


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Por sinal, achei um site ótimo (!?!) sobre obituários, mortes e afins. Eles vendem também camisetas com famosas últimas frases. Caros, a morte é irônica.
O link aqui.