Saturday, January 27, 2007

O mais incrível post


Você, blogueiro de plantão, já pensou nos assuntos que dariam um grande post? Eu penso naqueles memoráveis, que todo mundo comenta e seus amigos dizem: "Nossa, cara, aquilo que você postou me fez pensar muito...", como se a criatura nunca tivesse botado a massa cinzenta para trabalhar e, apartir do momento que ele leu o seu blog, entendeu o mundo.
Pois eu fiz uma lista de possíveis assuntos interessantes e bombásticos, todos estudados e comprovadamente eficazes, para quem está sem nenhuma idéia original para escrever no seu blog e quer muitos comentários:
1) AMOR. Amor grande, nada de amorzinho, eu te aminho, coisas do gênero. Quando escrever sobre amor, escreva sobre um imenso, enorme, quase insuportável. Fale como você ama tanto que dói no peito, arrebenta a alma. Se for platônico, mais e mais pontos. Não discorra sobre a sua vida de casado e como você encontrou a felicidade ao lado de alguém: as pessoas odeiam ler sobre outras pessoas felizes.
2) Política. O assunto em voga na maior parte dos blogs "adultos". Debater política e ter um ponto de vista crítico mostra que você leu diversos artigos, o que te torna um intelectual. Inteligência impressiona e mexe com paixões. Política não se discute? Só se for fora do mundo virtual e por educação. Aqui vale tudo.
3) Futebol. Tome uma posição. Gremista, colorado, corintiano, são paulino, qualquer coisa. Inflame o ego dos seus companheiros de time e rebaixe os rivais. A torcida e seus coments agradecem.
4) Sexo. Nada baunilha. Fale sobre orgias, coisas bizarras, descobertas e coisas maravilhosas. Enalteça alguém que você conheceu noite passada, mesmo que ontem você tenha visto filmes e jantado em casa. A grande verdade: a maioria das pessoas mentem quando falam de sexo.
5) Comicidade. Fale sobre micos, coisa cômicas, adapte uma piada e diga que aconteceu com você. Depois de ter um amigo que conta uma história como se tivesse acontecido com ele, até você se dar conta que o fato aconteceu, na verdade, com você, faz-de-conta que foi uma adaptação.
6) Mudanças. Loucuras. Agonias. Flagelos. Dores n'alma. Essas sempre dão bons posts. Não esqueça que a vida alheia tem que ser uma desgraça, senão qual a graça de entrar em um blog?
7) Pequenas coisas do dia-a-dia. Um gato na janela que te fez pensar nas coisas simples da vida. Uma estrela cadente que te fez ter um desejo e o que você faria se isso virasse realidade. A faxina na casa que resultou na busca de diversas memórias. Tudo muito bonito e pro-fun-do, para ser lido ouvindo Tori Amos.
Ah, sim, guarde um lance GENIAL para o fim. Uma última frase definitiva e que faça o resumo de tudo o que foi falado.
Se o "Super Post" não vir, não se preocupe. Ao menos, você conseguiu atualizar o blog. O que sempre é uma grande coisa.


...............................


Ganhei de aniversário uma panificadora elétrica, dessas que fazem pão quentinho na hora certa.
Ando faceira, todo mundo ganha pão de presente, deu até para fazer umas receitas diferentes. A mesma alegria que eu senti quando ganhei um estojo completo de maquiagem no Natal.
Como é fácil fazer uma mulher feliz!

Thursday, January 25, 2007

Deus na Terra dos Homens

Ando num daqueles momentos pesadíssimos da vida, quando tudo é motivo de reflexão. Pode ser a quantidade absurda de trabalho, quando todos no escritório resolvem abraçar o mundo, até se dar conta que o mundo é grande e complexo demais para se abraçar. Ou o amigo que morreu e o outro conhecido que tentou suicídio e a gente fica pensando "PQP! A vida da gente está um lixo, mesmo".
É, amigo, a vida está um caos. É esse pensamento que tem ocupado a maior parte dos meus dias. Nessas horas que uma religião faz falta, só que eu tenho aquele probleminha do ateísmo convicto e franco, quase como uma sarna que não cura. Eu queria ser da Seicho-no-ie, queria tomar Santo Daime, queria receber uma carta psicografada, queria a crença que Deus existe.
Acreditar no divino é como pagar a vida toda a prestação de um mausoléu, sabendo que você vai aproveitar só quando morrer. É a promessa que o céu está lá, te esperando cheio de anjos, e que o "Cara" está pronto para te perdoar por qualquer cagada que você fez enquanto vivo. Deus acredita na inocência, então a gente acredita que as pessoas no geral erram tentando acertar. Mas ele também acredita que o pepino se desentorta de pequeno e é punitivo- se você fez alguma coisa muito feia, merece o castigo ou o inferno.
Mais ou menos o trabalho de um cobrador de impostos.
Eu ando aflita. Não tenho santo para rezar. Não tenho o que vai aliviar a dor que sinto no peito, fora um cardiologista e Rivotril 2mg, que já estou de saco cheio de tomar remédio e achar que estou doente.
Um milagre pode ajudar, mas eu não sou mulher de ficar esperando. O milagre mesmo é a luta diária. Mas isso todo mundo sabe de cor.

O tempo é implacável

O que fazer quando uma relação de anos está pronta para ir para o buraco? Não falo de relacionamento amoroso, que é sempre mais complicado e doído, mas falo daquelas relações diárias que a gente não tem o que fazer, mesmo.
É aquele caso da mãe que tem o filho drogado e já internou o guri em todas as clínicas da cidade. Ela não tem mais o quê fazer. O moço continua fazendo o caminho da terapia e da boca do pó- todos os dias. Possivelmente essa mãe pensa que vai ser uma pessoa pior se desistir do caso. Haja consciência limpa.
O que fazer quando um pai abusa da filha quando menor? A menina cresce e segue seu caminho. O pai liga, pede desculpas, ou faz-de-conta que nada aconteceu. Nunca mais as coisas serão as mesmas.
Quem perdoa, do fundo do coração, o melhor amigo que sacaneou num negócio? Quem decide o que fazer quando uma amizade, que deveria ser para sempre, segue o rumo inevitável do fim?
Todas as coisas têm prazo de validade e algumas delas ficam com o prazo vencidíssimo, mas não temos coragem de jogar fora.
Eu nunca soube direito quando acabar com determinadas coisas, mas sinto quando o fim se aproxima, como a história do elefante que vai para longe da manada quando vai morrer. É claro que prefiro me afastar, mas gostaria de dizer o motivo, o que nem sempre dá. A maioria das vezes, porque não se quer falar, mas muito por saber que a outra parte não vai ouvir, mesmo.
E assim como uma paixão pode acabar pelo desgaste, outras relações também podem se desgastar com o tempo. A droga é que a gente aprende que amizade é para sempre, parente é para sempre, então bate uma baita culpa em desfazer o que já deveria ter sido desfeito há muito tempo.
Como explicar que a pessoa que você tanto gostava se tornou um cara turrão e chato? Que você também mudou com o tempo? Que você não quer passar a noite bebendo num buteco, como fazia quando tinha 17 anos?
Eu acho que o melhor é se afastar, para não criar feridas maiores. Um dia, quem sabe, a gente se encontra e vai ser tão bom quanto antigamente...

Friday, January 19, 2007

Mulher de fases


(Lady Clementine e sua nova fase de cabelo azul. De novo.)

Sempre tive fases, todas elas bem marcadas. Eu achava que passava, mas isso também foi uma fase. Na verdade, a única coisa que eu sempre soube muito bem sobre mim é que eu mudava. Não como o David Bowie, era uma mudança interna, em que alguma coisa dentro de mim não era a mesma. Nunca.
Aconteceu a primeira vez quando eu tinha uns 10 anos- porque aí eu vi que era gente e que precisava de adaptação. Tinha também o colégio, tão cruel para uma pré-adolescente, e tinha tantas amiguinhas que queriam outras coisas, que eu precisava mudar sempre. Mudei tanto que fiquei anos sem saber exatamente quem eu era.
Então veio uma fase aos 18 (sim, tive isso também), que tanto definiu a minha personalidade, quanto serviu para me indefinir. Eu percebi que era única.
Sou meio "hipponga", mas também sou meio gótica, meio punk, meio consumista, materialista, existencialista, niilista, religiosa, organizada, caótica, adoro gente e odeio gente, tudo junto. Eu sou isso, afinal. Eu descobri que sou o "tudo-junto". Eu sou o "amo-odeio" na mesma frase- tanto que aprendi que tem coisas que não gosto hoje. Apenas hoje. Amanhã, talvez eu volte a gostar. Mas sabe como é. Sou uma mulher de fases. Tudo para mim é "talvez"- e o meu "talvez" dura apenas o tempo de agora.

Monday, January 08, 2007

Escrever em blog cansa.

Foi isso que eu acabei decidindo, depois de me fazerem propostas e mais propostas de tentar fazer dinheiro com isso aqui. "Bah, tu tem um número tal de acessos? Legal, dá para fazer dinheiro!" O capitalismo, sempre ele.
E eu não acho que escrevo tão bem assim. Meu senso crítico me diz que falta aquela pimenta, aquele salzinho, coisa que tenho na vida real, mas não posso falar. Rá! Pois é. Minha vida tá bem bacaninha, só que eu ando com neura de assalto, medo de internauta psicopata, assustada com uns carinhas que chegam pelo meu blog por palavras como "menina de 12 anos sem calcinha", "meninas que transam com cavalos" e a coisa é tão pervertida e doente que eu fico perguntando se, de alguma maneira, não alimento isso, só pelo fato de escrever aqui.
Fora as cópias e, Deus, como tem! O blog deveria ser um diário de bordo, umas observações interessantes sobre o seu dia, para alguns interessados. O problema é que virou "novela da vida alheia"- quem sai com quem, acaba com quem, sai do emprego, volta. Sei lá, essas coisas não acontecem com todo mundo? Tem um monte de intelectual de butique que não vê novela, mas se infiltra em blogs. Não é a mesma coisa?
Não tem um dia que o seu cabelo está rebelde e você diz "PQP! Vou colocar um rabinho-de-cavalo, logo hoje que eu tinha uma reunião importante!" Não tem dia que você briga com o seu marido, que você acha um saco ter que ir no banco pagar conta? Viu? Comunzinho, como todo mundo. Eu só não me queixo.
E eu fico com pena de sair do blog de meninas, porque eu gosto tanto de escrever, mas não tenho tempo para fazer com tanta freqüência e me sinto culpada por isso.
Às vezes, eu tenho uns posts geniais na cabeça e fico elaborando tudo, até começar a escrever e esquecer metade, ou me dar conta que não era tão bom assim. Isso me frustra.
Então, a minha decisão é: vou continuar escrevendo. Mas sem o compromisso de fazer isso toda a semana, todo dia. Blog surpresinha, saca?
Tudo muito livre, como mamãe me ensinou- e ela sabe das coisas.