Já tinha ouvido uma pá de cds e MP3, de todas aquelas bandas desconhecidas e obscuras de todos os lugares mais esquisitos do planeta. Minha última febre era uma banda eletrônica chamada Naked Ape, bandinha sueca que faz som como o Kraftwork, até descobrir que não era jazz que me inspirava para desenhar croquis. Eu precisava pensar em passarela, em gente desfilando- e não tem coisa mais brochante que a Bebel Gilberto fazendo "papiii, papiii, purururuáááá". Foi aí que descobri o Justin Timberlake. Viciei.
O cara tem competência. Ele fez um vídeo com a Scarlett Johanson, pegou o espírito da coisa (possivelmente, também pegou a Scarlett) e está vendendo como nunca- depois, eu que reclamava tanto do Eminem, já estava ouvindo pela décima vez a "Smack that", com o Akon. Beyoncé é alternativa e indie, perto do que ando ouvindo. Mas pense pelo lado bom: nunca produzi tanto em tão pouco tempo. E nunca pensei tanto em o que o público gosta. Me diga o que vale mais: fazer alguma coisa realmente cheia de substância, consumida por meia dúzia de intelectuais, ou fazer grandes coisas para a massa, ficar rico, mas ser chamado de pop? Eu estou andando nos dois extremos.
Gosto de ser associada com coisas alternativas, feirinhas itinerantes e um povinho que não tira o All Star dos pés. Mas o All Star ficou popular, qualquer mané que quer fazer a linha "indie"coloca um tênis velho e um paletó do avô, por que me criticam quando eu digo que estou ouvindo Kellis? Ou, se eu fizesse parte de uma bandinha universitária chumbrega e andasse de roupa rasgada, eu ia ser mais legal do que sou hoje?
Woody Allen é pop. Beatles é pop. Camiseta branca é pop e, por favor, não venha me falar de clássicos. Clássico é um pop chique. O que quero dizer é que a coisa toda, para alçar de "popular" para "clássico", precisa de tempo. Beatles era a coisa mais popular do momento nos anos 60. As roupas dos anos 80 eram cafonas nos anos 90 e viraram hit nos anos 2000. Conga, Melissinha e Havaianas, na minha infância, era coisa de gente pobre- agora, você não consegue comprar uma Melissa por menos de 80 reais. Loucura. Não tem como vender um produto como água sem ser popular. Depende de onde você quer chegar: ou passar a vida inteira trabalhando só para um nicho de mercado, ou abrir bem os olhos e ver onde estão as oportunidades- e normalmente, elas vêm numa onda ensandecida de pessoas consumindo.
Eu nunca pensei em ser diferente dos outros, só que algumas coisas vieram ao natural. Está sendo ótimo ouvir Racionais Mc's e tem me ajudado a fazer um trabalho que eu preciso de criatividade. Britney Spears tem canções animadinhas e eu adoro dançar ao som das Destiny's Child. Não fiquei menos inteligente ou mais esperta, porque não faz diferença nenhuma para mais ninguém. Se autenticidade for isso, muitas vezes eu me pergunto se todos nós temos, de uma maneira ou de outra e se for verdade, no fim somos sempre mais um na multidão.
Tuesday, February 27, 2007
Sunday, February 25, 2007
O brasileiro médio
O brasileiro médio anda preocupado com o Big Brother Brasil e com a sandália da Grazi que estourou na Sapucaí. Inclusive, tem a teoria que foi olho gordo, coisa de batuque. Na verdade, o brasileiro médio diz que é católico, mas pega passe na mãe-de-santo- e depois, nega.
Brasileiro que é brasileiro acredita no Fantástico e na novela das 8. Acredita que o mundo pode ser melhor se todo mundo decidir adotar uma criança, como fez Angelina Jolie e a médica da novela, que adotou uma menina com síndrome de Down. Não se sabia que, antes disso, tinha um monte de gente que adotou. Não passou na tv, é claro que não existe.
Aliás, violência no Brasil é coisa nova. Ninguém tinha visto algo como o caso do João Hélio. O que não se sabia é que tem coisa bem pior por aí. Já ouviram falar em escravidão? Em trabalho infantil? Pois é, tem criança que perde os membros trabalhando como escravas. Aqui no Brasil. Eu juro que existe.
Brasileiro curte Carnaval. E vai para Salvador, nem que seja uma vez só na vida, só para descobrir que não tem graça nenhuma ir atrás do Trio Elétrico, já que depois dele vem 200.000 pessoas suadas pulando, e depois mais outro Trio Elétrico, e depois mais 200.000 pessoas suadas pulando. Mas ninguém precisa saber disso.
Polícia aqui até que existe e o brasileiro médio só acredita nela porque já viu entrando fazendo escarcéu no morro e posando de bacana no jornal. Mas sabe que, quando precisa, demora mais de meia hora para chegar. Lei nunca foi o forte do brasileiro, porque gosta de dizer que foi para o exterior trabalhar ilegal. Na casa dos outros, sim, é refresco. No país dos outros, é festa.
Brasileiro médio vai todo ano para a mesma praia, encontrar as mesmas pessoas, fazer as mesmas coisas que fez durante o ano inteiro. Só ajuda instituição de caridade quando é Natal. Só faz alguma coisa significativa para ele depois de uma grande polêmica. E em polêmica, somos tão craques como somos no futebol.
O brasileiro médio precisa ser empurrado para fazer as coisas acontecerem. Mas está 40 graus lá fora, deixa para acontecer depois desse verão infernal.
Brasileiro que é brasileiro acredita no Fantástico e na novela das 8. Acredita que o mundo pode ser melhor se todo mundo decidir adotar uma criança, como fez Angelina Jolie e a médica da novela, que adotou uma menina com síndrome de Down. Não se sabia que, antes disso, tinha um monte de gente que adotou. Não passou na tv, é claro que não existe.
Aliás, violência no Brasil é coisa nova. Ninguém tinha visto algo como o caso do João Hélio. O que não se sabia é que tem coisa bem pior por aí. Já ouviram falar em escravidão? Em trabalho infantil? Pois é, tem criança que perde os membros trabalhando como escravas. Aqui no Brasil. Eu juro que existe.
Brasileiro curte Carnaval. E vai para Salvador, nem que seja uma vez só na vida, só para descobrir que não tem graça nenhuma ir atrás do Trio Elétrico, já que depois dele vem 200.000 pessoas suadas pulando, e depois mais outro Trio Elétrico, e depois mais 200.000 pessoas suadas pulando. Mas ninguém precisa saber disso.
Polícia aqui até que existe e o brasileiro médio só acredita nela porque já viu entrando fazendo escarcéu no morro e posando de bacana no jornal. Mas sabe que, quando precisa, demora mais de meia hora para chegar. Lei nunca foi o forte do brasileiro, porque gosta de dizer que foi para o exterior trabalhar ilegal. Na casa dos outros, sim, é refresco. No país dos outros, é festa.
Brasileiro médio vai todo ano para a mesma praia, encontrar as mesmas pessoas, fazer as mesmas coisas que fez durante o ano inteiro. Só ajuda instituição de caridade quando é Natal. Só faz alguma coisa significativa para ele depois de uma grande polêmica. E em polêmica, somos tão craques como somos no futebol.
O brasileiro médio precisa ser empurrado para fazer as coisas acontecerem. Mas está 40 graus lá fora, deixa para acontecer depois desse verão infernal.
Wednesday, February 21, 2007
A primeira Havaianas a gente nunca esquece
Como resolução de 2007, eu tinha decidido que ia ter uma vida mais tranqüila. Isso inclui mudança no cardápio (tenho comido menos bobagem na rua e muito mais em casa), limpeza na casa e no cotidiano. Desde armários, roupas, louças, eletrodomésticos, tudo o que não usávamos mais, ou que tínhamos dobrado, ou doamos, ou mandamos para o sítio.
O que acabou entrando nessa lista foi a bicicleta que eu ganhei de Natal no ano passado, mas só nesse fim de semana tive oportunidade de curtir um passeio em duas rodas, numa cidadezinha do interior, bem tranqüila.
E aí que eu me dei conta como vivemos uma vida complicada. Tudo é difícil para quem está sempre na roda-viva. O pior é que algumas vezes não conseguimos nem nos dar conta que as coisas que a gente tanto corre atrás, nem sempre são as que precisamos.
Pois foi assim que surgiu a Teoria do Wii. Sabe o que é um Wii? É aquele joguinho com joystick que parece um controle remoto: você faz os movimentos e o jogo reproduz na tela da sua tv. Simples e bacana. Imagine assim, você compra o novo gadget e quer testá-lo. Chega em casa e descobre que o jogo não fica tão bacana com uma televisão de 21 polegadas como a sua. O que você faz? Vai na loja e compra uma tv de 29 polegadas de plasma, linda, linda. Volta para casa e se dá conta que sua sala é pequena e não tem espaço suficiente para jogar com o Wii e mais a sua nova televisão enorme. Quando você se dá conta, está procurando uma casa maior. Quando encontrar a casa maior, você vai precisar de um carro maior, pq a sua garagem comporta, e assim por diante. Bem, e tudo começou com um joguinho...
O que eu quero dizer com isso é que estamos sempre querendo mais, e é exatamente isso que nos destrói. Somos ambiciosos demais, gananciosos demais, invejosos demais. Isso cria uma inversão de valores, porque moramos num país onde aquele jogador de futebol, que não tem nem primário completo, ganha tão bem e você, que ralou 4 anos atrás de um diploma, ganha uma merreca.
E, olha que coisa, no fim da tarde desse mesmo dia de total "revolts", ganhei a primeira Havaianas da minha vida. Sabe lá o que é a pessoa NUNCA ter usado uma única sandália própria, só pegava emprestado e devolvia? Pois eu desfilei de Havaianinha rosa com borboletinha no pé, alegre e faceira da vida, pensando que a felicidade está, realmente, nas coisas mais simples: paz de espírito, amor, tranqüilidade e saúde.
Wii para quê, afinal?
Wednesday, February 14, 2007
As famílias e suas famílias
Eu tenho várias famílias no mundo. Uma delas é aquela que eu nasci, filha da mãe Beti e do pai Jones, que estão me dando uma trabalheira danada na terapia. Pois é. Faço terapia. A gente um dia tem que resolver nossos problemas.
Outra, é a família de Ursos, que é como nos chamamos aqui na empresa. Brigamos, batemos porta, mas também damos muitas risadas juntos. São as pessoas que mais me conhecem e que eu mais conheço, já que antes de trabalharmos todos juntos, éramos amigos de longuíssima data.
Tem a família de amigos, onde ganhei o apelido carinhoso de "mana"- talvez por ser a mais velha- e "lesma"- por dar "beijos de lesma" como ninguém mais. Amostras do tal carinho, só pessoalmente.
Tem a família de amigos que fiz pela internet, que são aqueles que visitam o blog, deixam recadinho, fazem companhia pelo msn. Esses sabem quem são e ganham beijo no rosto.
E agora tem a minha pequena família, que é a primeira que eu monto, com o Fumador, a Mia e eu. Essa, que mora na mesma casa, que divide o mesmo teto e as contas no fim do mês, que o maior problema tem sido "onde vamos passar as próximas férias?", "o cara da Net não chegou" e "onde colocar os quadros?". A mesma que me dá tanto amor e vontade de trabalhar, de estudar, de crescer mais um pouquinho, que me dá apoio, alegria e satisfação, que um dia eu quero que cresça na medida que o amor da gente tem que crescer, tudo na hora certa.
Essas famílias todas são as que andam ocupando meus dias.
Eu tenho descoberto que sou antisocial de casa cheia. A amiga ausente, mas que sempre esteve ali, na hora que se precisou de um bom conselho, ou de um pão quentinho com chá. A irmã que nunca aparece no aniversário, mas liga de onde estiver para dizer que ama muito a outra. A chefe que nem parece chefe, de tão simples que uma parceria pode ser.
Eu ando ocupada com as minhas famílias, só porque elas são importantes demais para mim nessa vida. Sem elas, todas juntas, não sou ninguém.
A gente desliga o computador e vai viver, lindamente. E, se for para o seu bem, sugiro que você faça o mesmo. :)
Outra, é a família de Ursos, que é como nos chamamos aqui na empresa. Brigamos, batemos porta, mas também damos muitas risadas juntos. São as pessoas que mais me conhecem e que eu mais conheço, já que antes de trabalharmos todos juntos, éramos amigos de longuíssima data.
Tem a família de amigos, onde ganhei o apelido carinhoso de "mana"- talvez por ser a mais velha- e "lesma"- por dar "beijos de lesma" como ninguém mais. Amostras do tal carinho, só pessoalmente.
Tem a família de amigos que fiz pela internet, que são aqueles que visitam o blog, deixam recadinho, fazem companhia pelo msn. Esses sabem quem são e ganham beijo no rosto.
E agora tem a minha pequena família, que é a primeira que eu monto, com o Fumador, a Mia e eu. Essa, que mora na mesma casa, que divide o mesmo teto e as contas no fim do mês, que o maior problema tem sido "onde vamos passar as próximas férias?", "o cara da Net não chegou" e "onde colocar os quadros?". A mesma que me dá tanto amor e vontade de trabalhar, de estudar, de crescer mais um pouquinho, que me dá apoio, alegria e satisfação, que um dia eu quero que cresça na medida que o amor da gente tem que crescer, tudo na hora certa.
Essas famílias todas são as que andam ocupando meus dias.
Eu tenho descoberto que sou antisocial de casa cheia. A amiga ausente, mas que sempre esteve ali, na hora que se precisou de um bom conselho, ou de um pão quentinho com chá. A irmã que nunca aparece no aniversário, mas liga de onde estiver para dizer que ama muito a outra. A chefe que nem parece chefe, de tão simples que uma parceria pode ser.
Eu ando ocupada com as minhas famílias, só porque elas são importantes demais para mim nessa vida. Sem elas, todas juntas, não sou ninguém.
A gente desliga o computador e vai viver, lindamente. E, se for para o seu bem, sugiro que você faça o mesmo. :)
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